terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sem explicação


Filho, o que te aconteceu ontem não se explica, apenas se agradece.




Quase todas as mães e pais podem contar um ou outro episódio nas suas vidas em que vivenciaram um milagre.
Quando tudo apontava para um desastre, heis que sem qualquer tipo de explicação científica um filho sai isento de quaisquer marcas a um acidente em que poderia ter ido parar a uma cama de Hospital.

Posso dizer que eu já vivenciei alguns bons milagres, com os meus filhos, e sempre que tal acontece tenho a percepção imediata de que acabaram de salvar a minha vida - o meu filho.
Enquanto embalo o susto nos meus braços, agradeço.

O primeiro milagre nunca se esquece - tinha o meu Rafael cerca de 5 dias de vida e estava a dormir tranquilamente na alcofa. Eu vou buscar o óleo (500ml - cheio) à mesinha de cabeceira mesmo junto à alcofa. Passo o óleo a cerca de 30 cm da sua cabeçinha e o frasco escorregou-me da mão. Ouço o barulho do frasco cheio a bater-lhe na cabeçinha de lado.
O milagre aconteceu de tal forma que ao pegar instantaneamente no frasco, o meu filho nem um choro deu, nem com uma marca ficou.
E eu agradeci e chorei muito também porque nunca tinha vivenciado nada igual...

Ontem a minha sapateira espelhada com 180cmx90cm cheia de sapatos, caiu em cima do meu Afonso.
Ele como está rouco pouco conseguiu chorar.
O tempo que parece andar tão devagar naqueles momentos, deixou-me tentar tirar-lhe o móvel de cima, quando a parte de cima do móvel estava a atravessar-lhe o corpo (cabeça, braço e as pernas estavam todas por baixo).
Quando agarrei no móvel e senti aquele peso imenso pensei que ele tivesse partido no mínimo um braço, pois seria impossível alguém safar-se assim, porque nem no meio ele ficou, é que apanhou mesmo com o móvel na pior parte possível.
Não consegui elevar o móvel na totalidade apenas o suficiente para que ele conseguisse sair... e ele conseguiu sair arrastando-se.
Fiquei surpreendida por ele ter conseguido porque senão não saberia como o tirar de lá, estávamos no corredor, não poderia pôr o móvel de lado e com ele ali mesmo não conseguiria erguer o móvel.
Peguei nele e tentei enfiá-lo dentro de mim e protegê-lo de qualquer mal...
Queixou-se de um cotovelo que pouco ou nada estava vermelho e explicou que estava a tentar abrir uma gaveta.
Na zona onde lhe caiu todo o móvel nem um vinco... nem uma marca... nada!
E eu agradeci e enquanto eu agradecia incrédula ele quis sair do meu cólo e brincar para o quarto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Encarecer a educação dos nossos filhos

Ontem enquanto apreciava a reportagem da RTP1 sobre diferentes formas de perceber a procriação, deparei-me com algo que me arrepiou a espinha, o facto de apenas 1 criança de 9/10 anos gastar cerca de 1.000€ mensais só para sua auto contemplação.
Não considero que quanto mais se gasta com um filho, melhor serei eu ou será ele no futuro.
Se educar fosse assim tão linear tudo seria mais fácil de resolver.
Já por várias ocasiões pude constatar que o comboio da vida, muitas vezes não segue a direito, existem curvas no seu percurso e muitas vezes elas são tão apertadas que nos derrubam.

O ser humano tem uma característica universal - o facto de se habituar fácil e rápidamente ao que é bom, prazeiroso, agradável e fácil, quando acontece o contrário o seu eu interior, a sua força é que marcam a diferença.
Um dia podemos não ter tudo, podemos não ter como nem o que escolher, mas temos que ter a capacidade de nos levantarmos batalhando.

Assustou-me aquele valor, confesso. Imaginar que um ser que desde que nasceu vive para si mesmo, aprendendo que basta sonhar e pedir que terá, que conseguirá, sem qualquer tipo de esforço.
Assusta-me apenas o factor global daquela situação e não o pessoal daquela família.

Educar é colocar em pontos, um objectivo final.
Cada ponto significa algo que o educando tem que aprender sózinho, com ajudas é certo, mas aprender é algo individualista e único, para que possa funcionar uma qualquer aprendizagem.
O objectivo é o seu encontro com algo do seu eu interior (educando), sejam apetências sejam interesses.
Educar é sim estimular, mas não só o factor externo.
Materializar a educação torna o educando pragmático, materialista, egocêntrico e individualista.
Racionalizar a educação torna o educando analista, solidário, ponderado e abrangente.

Sei que nem sempre existem boas escolas públicas ao virar da esquina, mas com toda a certeza que num raio de 10 km encontrarão uma, que valerá a pena os km diários.
Actividades extra curriculares com valores simpáticos e acessíveis encontram-se igualmente em escolas públicas boas.
Para quem é céptico, podem acreditar que efectivamente existem!
Se existe muita mistura de raças, educações e culturas nas escolas públicas? pois concerteza, tal qual qualquer parte do Mundo.
Tornar o nosso filho capaz de manter os seus valores e respeitar os outros, sendo capaz de se fazer respeitado é um dos objectivo de educar.

Não sou drogada, não sou mãe solteira (daquelas que têm um companheiro mas que não o assumem perante a segurança social, nem daquelas mães solteiras que são divorciadas e recebem pensão de alimentos, nem daquelas mães solteiras que engravidaram e nunca mais souberam do pai da criança), não sou cigana (daquelas que vivem em barracos junto aos postos de elctricidade e fazem uma puxada), não!
Sou uma pessoa completamente normal, que me enquadro na grande maioria das famílias portuguesas que não vivem na pobreza mas que também não pertencem ao estatuto daqueles que ainda sobra dinheiro para umas férias fora do país.

Posso dizer que mensalmente gasto com os meus 2 filhos 180€, que incluí:
Rafael (08h00 - 17h00) A escola está aberta das 07h30 às 20h00 sem custos acrescidos
= escola pública de qualidade + almoço + lanche + basket + informática + dinheiro no cartão da escola + telemóvel
Afonso (09h00 - 18h00) Sim, aqui requer alguma flexibilidade de horário (no 1º ano será melhor)
= ensino pré escolar público + prolongamento + férias escolares + almoço + lanche + natação + tai-chi

Posso acrescentar umas idas ao cinema, uns fast-foods, umas gomas ao fim de semana, uns livros, uns jogos, uns brinquedos, como complemento materialista.
Posso também acrescentar uns passeios em família, umas pescarias, umas pedaladas, uns jantares e cafés com amigos, umas visitas a familiares, como complemento racional.

Claro que nem sempre em quantidade que EU OU ELES QUERÍAMOS, mas tento organizar o melhor que consigo o tempo, os horários, as disposições e as verbas disponíveis, para que possamos ser hoje mais felizes do que ontem!



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A gripe A e as Escolas dos meus



Hoje senti algo quando o meu Rafael me diz:

"mãe! sabes quantos colegas meus já apanharam a gripe A??"

(gluppp, então e aquela cena de se contar quantos já foram "apanhados pela gripe A, na Escola!????)

"Só um, mãe! sim só porque na turma do J já apanharam 3!"




É pá!!!!!! a coisa tá cada vez mais a ficar perto.
Do nosso grupo de amigos já 2 crianças foram "apanhadas" pelo vírus...


É que ó faxavôrzinho, era pedir muito se a "coisa" não apanhasse o meu Rafael??? é que senão a coisa vai ficar muito preta com o miudo internado no Hospital.

Até já tive que lhe começar a "lavar-lhe a cabeçinha" de que se apanhar vai ter mesmo que ficar a dormir uns dias no Hospital (por causa do pavor de dormir fora de casa - pavor ao escuro). É que isto é tudo muito bonito mas não vou poder deixar o miudo sózinho no Hospital!


Na escola do Afonso a coisa ainda se conta por quantos já ficaram de quarentena infectado com o H1N1...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Eu por cá tenho um segredo


...

o tocar e ouvir as pessoas,
o comunicar com a sua dor ou desconforto,
o rejubilar com as suas conquistas ou alegrias,
o poder ajudar seja com a minha experiência seja com o meu conhecimento...

é o que verdadeiramente me dá aquele brilhozinho nos olhos!




Ando roídinha por uns pensamentos anormais
vulgo, fora da minha rotina, do meu normal
Ando numa de querer mudar de rumo profissional
completamente diferente daquele que me pertencia
Mas que ao mesmo tempo reanima um bichinho antigo
do fazer o outro sentir-se bem, através das minhas mãos
É possível até conjugar futuramente um outro bichinho meu
mexer com grávidas e bebés
Pode até me dar mais liberdade e dinheiro
ou seja tem tudo para dar certo





O único senão que eu vislumbro é a minha saúde... a minha coluna, em especial a hérnia cervical que se se lembrar de me pregar uma partida... deitará tudo a perder e a minha mobilidade dos braços poderá ficar condicionada.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ao 7º dia da sua morte


Ainda se vive numa penumbra que abafa a realidade...
Ainda se tenta interiorizar uma falta que se sente, uma presença desaparecida...
Ainda se espera que volte...

Sente-se a sua presença.
Seja nos hábitos, seja em risos que se ouviriam duma presença física, seja na saudade de o não ter.

A certeza da falta de sofrimento aquando da sua separação do físico/ material, apazigua a nossa alma.
Mas a falta que sentimos deixa-nos tristes.

Foram dias muito pesados para mim, mesmo como nora.
Tinha-o como um pai, extremamente presente e por isso sinto muito a sua falta.
Como nora protegi e amparei a sua mulher, a sua filha e o seu filho meu marido.
Afastei os seus netos, meus filhos, de toda a incerteza e dor da espera.

Coube-me a mim contar a morte de um pai a um filho e de um avô a dois netos.
E doeu...
E foi extremamente pesado...
Mas a dor maior foi a de contar aos meus filhos que adoravam aquele avô, tão presente na vida deles, que ele tinha morrido. Sem rodeios ou histórias de encantar, apenas simplicidade e com sentido universal.
... as lágrimas do meu filho mais velho corroeram-me a alma.
... o silêncio e inocência do meu filho mais novo apertam-me o meu peito.

Amanhã temos a missa em nome da sua alma e os netos irão estar presentes.

Paz à sua alma!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Aneurisma na aorta


É uma complicação grave que já levou o meu sogro 3 vezes à mesa de cirúrgia.
Em toda a aorta (torácica e abdominal) existe uma prótese.
A aorta está demasiada "calcada" e "magoada", está sem força de vida... e sem ela não há vida.
Esta 3ª vez o aneurisma na aorta abdominal trocou a volta ao coração forte e saudável.

Estamos a combater o tempo da angustia de uma espera, com pouca vontade de esperar.
O fim já está traçado, menos o tempo que demorará até acabar.

Porque com todos os defeitos que o meu sogro possa ter, sempre foi como um pai para mim... nunca me deixou faltar nada muito menos aos meus filhos... esteve muito mais presente na minha vida, do que o meu próprio pai.
Porque tenho a sorte de ter os melhores sogros do mundo... dói cair na certeza de um fim aos 60 anos...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SAG - Serviço de Atendimento à Gripe A (virus H1N1)

Afonso

14H35 - Chegada ao SAG
16h30 - Triagem feita por uma enfermeira
16h55 - Nova triagem (falha informática)
17h05 - Atendimento feito por uma médica
clínica geral
...........(com pouca ou nenhuma experiência com crianças, a miudos tão pequenos não é feito qualquer teste para comprovar a presença do vírus)
17h45 - Chegada ao Hospital
17h50 - Atendimento feito por uma pediatra
(excelente atendimento)
18h05 - Saída do Hospital
............ Diagnóstico - FARINGITE
(medicação leve)






Sintomas:

  • Dia anterior:
    rouquidão
  • Noite:
    febre (38.7º - Brufen 06h30) + agravamento da
    rouquidão + dor de garganta + tosse + brônquios obstruídos
  • 11h00:
    telefonema - Saúde 24 (808 24 24 24 - opção 2) - enfermeiro

    mantém estado febril 36.5º - ainda sob o efeito
    do antipirético
    perguntas/ respostas
    não dar qualquer
    tipo de antipirético até chegar ao SAG
    Excelente atendimento.

Eu que andava muito longe da azáfama e alarmismo em torno no vírus H1N1, dei por mim ontem, a perceber o quão dramático e grave pode ser o meu Rafael contrair este vírus, por mais injusto que isto possa parecer, não era o Afonso que me preocupava (conheço o sistema imunitário deste meu filho)
Percebi que em minha casa, não tinha alcóol, nem qualquer tipo de desinfectante (agora na "moda").
Vi que ele pode andar bem perto, inclusivamente já apanhou gente do nosso grupo de amigos "íntimos", e... tive medo.

Numa manhã tive que organizar e desorganizar vidas independentes da minha, para o caso de se comprovar a Gripe no Afonso, para que pudesse afastar o meu Rafael deste perigo. Já tinha tudo controlado, para o caso de ser.
Ainda bem que não era... ok, talvez para já, mas talvez nem apanhe.
Se o meu Rafael ficar doente à conta deste vírus, terá que ser internado, porque ele é doente crónico e portanto de risco. É asmático, tem rinite, é alérgico à penicilina e não pode tomar Ventilan... que belo mix!
Estava mesmo muito consciente que apenas acontece aos outros...
Ontem tive um "abre olhos".

..................................................................................................................

Notas soltas:

SAG - zona de impacto
Pessoal médico e não médico a assar debaixo de pelo menos 2 camadas de roupa sintética, luvas que fazem transpirar, máscaras incómodas até dizer chega... e mesmo assim a trabalhar.
É um ambiente pesado, com crianças meio assustadas com tal aparato e pela forma como se isolam as pessoas (sem música e sem TV para distrair as horas que vão passando... e uma pessoa a assar).
Um bem haja aos dispensadores automáticos de gel alcoólico! muito o meu Afonso se distraiu à conta daquele automatismo :D
Tal era a exigência da higienização, que havia uma senhora sentadinha à porta da única wc disponível, pronta a limpar aquela divisão após a saída das pessoas
(pormenor).
Falha importante --- deveria haver 2 salas independentes, uma só para adultos e outra para só para crianças. Os sintomas e a forma destes se fazerem notar nas crianças são diferentes dos dos adultos, por isso são mais os adultos efectivamente infectados do que as crianças que são encaminhadas para este serviço por exigência de uma série de planos, e que acabam por estarem mais expostas.

Sala da Gripe na Urgência do Hospital:
Serviço extremamente bem organizado, com atendimento pessoal, simpático, directo e rápido.
Não deixa de ser confuso o aparato de gente completamente tapada a vir buscar a criança à sala comum... basta imaginar a visão de alguém com apenas alguns anos de vida e com pouco mais de 1 metro de altura.
Resta aos pais ajudar a criança a ver tudo aquilo como uma nova forma de o ajudar a ficar bom.

Ficou a experiência.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Resultados nas novidades

Ensino Pré-Escolar 2009/2010
5 anos

Hoje foi o 2º dia, hoje tivemos direito às primeiras lágrimas a escorrerem pela bochecha.
A primeira semana foi composta pelo complemento, pelas auxiliares desse mesmo complemento, por vezes a auxiliar principal ía à sala para os ir conhecendo pouco a pouco.
Ontem foi o dia oficial do começo das "aulas" dos pequenitos.
Nova sala (ao lado), nova "professora" e auxiliar.
Novos brinquedos, desta parte ele gosta, é uma sala mais completa.
Mas houve miudos que não estiveram na semana passada, ou seja, choram.
O meu que estava preparado para a coisa... não resiste a chorar ao ver outros a chorarem.
E mais beijinhos e mais abraçinho, e mais "não te esqueças de me vir buscar, ok?".
Tadinho.
Muita conversa (2 minutos) e digo-lhe, "tem que ser, filho", e combinamos encontrarmo-nos na janela (do lado contrário à porta), para que mais meninos e respectivos pais, possam entrar.
Pela frestinha da janela conseguiamos ouvir-nos um ao outro.
Conheço o meu filho e ele tem que ficar sem chorar, porque se for contrariado consegue correr atrás de mim, especialmente se alguém o tenta agarrar, se fosse comigo também me iria sentir presa e obrigada... que horror!
Conversei, expliquei-lhe que o ía buscar depois do lanche, disse-lhe que ele não podia ir para casa (como me pedia), porque o mano também não estava lá e eu tinha que ir trabalhar para ganhar dinheirinho para poder comprar-lhe a "bracelete dos transformers" que ele tanto quer.
Por uns segundos ao olhar para uma lágrima a correr-lhe pela cara abaixo, com um vidro a separar-nos, senti um aperto no estômago... mas ele já tem 5 anos e compreende as coisas.
Com conversa de mais 6 minutos a coisa compôs-se, ele foi assoar-se e eu disse "até logo, môrzinho".

5º ano do 2º Ciclo 2009/2010
10 anos e meio
Ao 3º dia de manhã sai do carro, na rua perpendicular à da escola, atravessa na passadeira e entra na escola, sózinho.
Quando sai ou à hora do almoço ou ao final da tarde, sai sózinho da escola e vai ter comigo à dita rua perpendicular à escola.
Sem qualquer contacto visual... é um grande passo para mim e acredito que para ele também.
É um largar para o encontro de uma responsabilidade.
Estou a prepará-lo para que depois possa ir a pé fazer um trajecto bem maior.
Está a gostar das novas responsabilidade, sente-se mais adolescente.
Tem uma meta como objectivo profissional que pretende alcançar, e isso é extremamente positivo! Compreende a escola como um meio para alcançar um fim, o que foi sempre muito pretendido e ensinado por mim.
Gosta dos intervalos e gosta de ficar com os colegas o máximo de tempo possível, nem que para isso em vez de usufruir de 2 horas para almoçar, basta-lhe uma e a outra é passada na escola.

Chegar a esta etapa requereu da minha parte um grande planeamento, falo de 6 anos de organização e disponibilidade.
É um trabalho constante o educar para a escola, explicando a sua função e não criando um melodrama sobre os problemas políticos entre o pessoal docente, pois não lhes diz respeito como alunos.
Acredito que é demasiado importante o acompanhamento dos alunos no 1º ano de escolariedade, o mostrar entusiasmo por ver os materiais escolares, conhecer os livros, muito antes do início das aulas.
Entusiasmo escolar é muito importante para os focar nos objectivos.
A escola é um meio.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Rafael - 1º dia

......................................................... 5.º ano ................................................. .......

Tal era a ansiedade da noite anterior que recorri a um anti histamínico bebível diferente do que costumas tomar para a rinite.
Conseguiste descansar.
Acordaste eufórico.

Chegaste à escola cheio de vontade de conhecer, com o espírito de que é a melhor escola onde poderias estar a estudar. Encontraste amigos.
Olhei-te e vi-te cheio de atenção, a absorver o máximo que conseguisses.
Deixei-te ir e deixei-te ficar com o meu coração de mãe o mais descansado possível.

Fui-te buscar e estavas enquadrado, feliz da vida, histérico para me contares cada pormenor daquilo que outrora também foi meu.
Continuas extasiado com a mudança, seja de sala de aula, seja de carteira, seja de professores, seja de novas responsabilidades.


Tiveste colegas mais velhos a mostrarem-te os recantos da escola e algumas regras que deverás cumprir.

Tens professores que foram meus professores e até meus colegas.
Quando lá andei sempre fiz tudo para poder estar lá o maior tempo possível, porque sempre me senti: bem, protegida e cuidada.
Quando deixei esta escola, pude comprovar a grande diferença do ensino público e daquele ensino... senti muitas saudades, das regras, dos costumes, do respeito, carinho e atenção de todo o pessoal docente e não docente... da educação.
Voltei para poder terminar os sacramentos, voltei para ajudar aos Sábados. voltei para fazer parte dos antigos alunos, voltei para escolher quem consagrasse ao meu matrimónio... voltei para entregar o meu filho.

É uma escola diferente, onde o aluno e a sua educação estão sempre em primeiro lugar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Afonso - 1º dia

.......................................................... Pré - Escolar ..............................................


Correu dentro da normalidade.

Muito miminho, algumas lágrimas e pouca vontade de ficar num espaço novo.

Valeu a salinha do complemento à família (antes do início das "aulas") ser mesmo ao lado de onde o mano costumava ficar, por isso ele acabou por preferir ficar com as auxiliares de lá.

Comeu 3 colheres de sopa e uns bocadinhos de massa e carne.
Mas parece que acordou com a auxiliar da sala dele que amanhã comia 5.

Quando o fui buscar, estava contente, e quando eu lhe perguntei se tinha gostado da escolinha nova ele fez-me um sorriso de orelha a orelha, como só este meu filho sabe fazer... e assim me disse tudo!

Estragou-me o dia, saber que me queriam fazer passar por parva, ao quererem me cobrar um valor extraordináriamente mais alto do que aquele que efectivamente me compete pagar.
Claro que tive que levar uma carga de nervos para casa, desembrulhar uns Decretos Lei e uns Despachos na net, e saber os endereços de e-mail correctos... para poder ter a confirmação de quem manda... assim está melhor.
Amanhã "me aguarrrrrdem!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Rescaldo da festa


Ainda dos 5 anos do Afonso.
Hoje foi a festinha com os amigos pequenos, grandes... e caninos!
Adorou!
Ao ar livre!

sábado, 5 de setembro de 2009

As escolas deles - novas etapas


Este ano lectivo tenho 2 estreias.
Foram 2 escolhas meticulosamente e pacientemente planeadas.

É muito bom receber a confirmação de 2 projectos muito ansiados por mim.


O pequeno vai entrar para o Jardim de Infância da EB1 onde andou o irmão durante estes últimos 4 anos. Começa na 2ª Feira.
O grande vai entrar na minha escola dos grandes. Como "é minha" ele tem direito a muitos professores "meus". Começa na 6º Feira.

É um passo muito grande para ambos e estou muito feliz por eles e pelas escolhas educativas que fiz.

Para tudo estar bem, precisava de um bom empurrãozinho profissional para mim, que já bem mereço, em vez deste sacrifício que está a ser gerir os encargos com os livros, equipamentos e materiais escolares dos 2.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Parabéns filho



5 anos de ti

P a r a b é n s filhote!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Malandrice


Na véspera de completar uma mão cheia de anos de vida, foge pela janela...
Tal era a pressa de ir brincar para a casa dos amigos/ vizinhos do prédio de frente.

O que valeu foi que a rapidez com ele colocou uma mesinha pequena junto à janela grande da sala, saltou para a rua (nem sei como é que ele não partiu qualquer coisa), tocou numa campainha de uma vizinha qualquer (ele não chega ao andar deles), conseguiu que lhe abrissem a porta, subiu as escadas, tocou á campainha, agarrou-se ao irmão a chorar a dizer que tinha saltado da janela, e o meu Rafael me ter ligado a dizer que ele estava lá... não deve ter chegado a uns 8 minutos.
Veio recambiado para casa, entrou pela janela com que saiu (peguei nele ao colo - directamente das cavalitas do amigo) e foi direitinho para o quarto de castigo!
Hoje esteve cá em casa um bebé de 6 meses e eu estava no quarto com ele quando isto aconteceu.

Tive pena dele, porque o que ele queria era ir brincar... porque estamos na véspera do aniversário dele e ele fartou-se de chorar sentido... mas não posso dar o braço a torcer porque ele fez uma coisa muito feia e perigosa! e por isso mesmo não pôde ir a casa dos amigos brincar.


É para teu bem filho... não vivemos na "santa terrinha" onde todos se conhecem e a maldade anda meio escondida... aqui há malucos sem vergonha alguma, ao virar da esquina...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Velho eléctrico



Vale muito a pena... uma voltinha, ou melhor duas voltinhas!!

Uma ida e outra volta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Algo


Existe algo numa praia ao princípio da noite... com um manto de nevoeiro...
Muito mais relaxante e "zen" do que no início do dia.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

P A R A B É N S ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !

e os meus anos já estão "casados"

... para mim!!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Os meus desenhos animados

(desligar a música do lado direito)

OS MEUS PREFERIDOS
Podíamos não ter o "Panda", mas tinhamos muito mais qualidade no que víamos na televisão.





























ainda tenho a K7

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Que horror...

A minha insónia de ontem tinha uma razão terrível para acontecer...
Porque o enorme sofrimento de uma prima estava a chegar até mim sem eu perceber... e a foto que eu escolhi para o post desta madrugada... sem palavras...


Quando julgamos que não nos acontece...

A filha da minha prima de apenas 6 aninhos de cabelo loiro e olho azul, esperta e teimosa, morreu ontem afogada na piscina de uns amigos...

Demasiado doloroso...

Ouvir a dor daquela mãe...

O saber que não há nada a fazer...

Que se perdeu... para sempre...

Vou lá ver se a minha frieza de ver as situações dolorosas consegue transmitir alguma tranquilidade para se tomar determinadas medidas, necessárias nestas alturas...
Mas é demasiado forte... vamos apenas chorar... há tempo para tudo, até para se chorar na morte de alguém...

Irmandade largada

Aquela casa acaba por fazer-me mal.
Ir lá lembra-me muita coisa... foram 3 anos muito intensos.
O meu irmão fez 13 anos. Está naturalmente enorme, crescido, cada vez com um ar diferente.
Deixou de ser o meu bebé.
Vivi a gravidez dele de uma forma muito presente.
Ele era aquilo que eu sempre tinha pedido aos meus pais, era agora apenas meu meio-irmão mas para mim isso não era nada importante.
No dia que eu fazia 17 anos entrava ele porta a dentro. Eu já o conhecia bem, já tinha estado com ele desde que entrámos no Hospital e ela ficou internada.
Era um bebé amoroso, tratei dele como um filho, embalei-o na sala para que ela pudesse descansar, e amáva-o imensamente. Tinha imenso orgulho de o mostrar às minhas amigas.
1 ano em pleno, de entrega total àquela criança, como se de um filho se tratasse.
Mas a minha vida sempre foi um turbilhão de acontecimentos.
Acabei por deixá-lo com pouco mais de 1 ano de idade... mantive na minha mente que "longe da vista, longe do coração"... mas custou muito.
Um ano depois fiquei grávida e acabou por ajudar à saudade.
Muitas vezes não lhe respondi quando ele me perguntava quando é que ía lá a casa...

13 anos depois sinto que perdi imensa coisa dele, perdi pequenas coisas como o cheiro, aquele amor que nos enche os olhos de lágrimas de emoção quando sopram as velas.
Vejo-o muito mais apegado à outra meia irmã e isso baralha-me o pensamento.
Nada de ingratidão... ainda bem que ela começou a ligar-lhe mais desde que eu saí de casa, como que a recuperar o lugar que eu tinha deixado na vida dele. Um dia ela disse-me que ela lhe falava de mim para que não se esquece-se de mim.
Eles têm uma ligação forte.
Eu tenho pena de os ter largado, a ela também, porque acabámos por viver momentos únicos de cumplicidade e amizade como se fossemos irmãs de verdade.
Mas seria tão complicado se assim não tivesse sido...

Quando o larguei ao ter saído daquela casa, não tinha intenção de o perder de vista... mas a situação complicou-se e entre os adultos e os seus julgamentos, foi aí que tomei a minha decisão de não deixar que o utilizassem como arma entre adultos.

Porque sinto falta de o ouvir chamar mana, da mesma forma que sinto saudades de chamar pai.
Porque não o trago mais para perto de mim, porque não quero me sentir na obrigação de deixar os meus filhos irem para casa dele sem mim.
Porque será sempre uma convivência minada de desconfiança... porque eu sei e porque proteger os meus filhos é maior do que proteger o meu pequeno irmão...
E é uma escolha pouco fácil de digerir.


Era tão fácil ter uma família banal como tantas outras, daquelas que discutem que berram uns com os outros e depois tudo acaba resolvido sem ressentimentos.
A mim calhou-me uma família escondida em segredos, que prima em esconder todos as emoções e nunca falam abertamente, sempre entre suposições e idealismos.
Cansa...
A 3 dias de completar 30 anos de vida, sinto-me presa a um passado demasiado penoso.
A família que me calhou será sempre a mesma, todos precisamos de um pai e de uma mãe, tenham eles os defeitos que tiverem.
Sinto-me presa a memórias felizes que me proporcionavam tranquilidade e felicidade, assim bem pequenas mas daquelas onde tinha um pai e uma mãe e uma casa.
Cansa fazer contas e divisões, quando se trata de pessoas únicas na nossa vida.
Crescemos a pensar que crescemos e construimos a nossa família e pronto. Não! a nossa família também é aquela que nos criou.
Somos uns seres que para além de não terem sido feitos para viverem isolados, conseguem-se multiplicar, assim como o amor se tem que multiplicar, as atenções também, o tempo também.
Depois vemos o tempo a ir-se, tudo a crescer e nós com a sensação de termos feito pouco.

Cheguei a uma etapa da vida que sinto que ainda tenho tanta coisa para fazer, tantas conversas difíceis que não vou querer ter, outras que talvez merecessem a pena ter e tantos perdões já dados a um tempo que me levou parte de mim e que não volta atrás, mas que será sempre uma pedra no meu sapato.

Queria apenas ter que tomar decisões que envolvessem a família que gerei, porque a outra tem tantos fantasmas, tantas falsas-verdades, que não sei se a morte não traria mais verdade ao de cimo, o fim de um capítulo que por mais que eu sentisse falta do seu abraço como antigamente, nunca seria nem o mesmo nem verdadeiro. Se tiver que ser, o meu perdão já está dado porque não o fazer não iria mudar rigorosamente nada, mas julgo que virem pedir a minha decisão demonstraria dignidade para com a minha pessoa. E aí tudo ganharia outro sentido e eu menos problemas.
Apenas não queria que jogassem comigo novamente e não suporto a ideia do meu irmão poder sofrer
com isso.


Apenas problemas meus, às 04h00...