
Ainda se vive numa penumbra que abafa a realidade...
Ainda se tenta interiorizar uma falta que se sente, uma presença desaparecida...
Ainda se espera que volte...
Sente-se a sua presença.
Seja nos hábitos, seja em risos que se ouviriam duma presença física, seja na saudade de o não ter.
A certeza da falta de sofrimento aquando da sua separação do físico/ material, apazigua a nossa alma.
Mas a falta que sentimos deixa-nos tristes.
Foram dias muito pesados para mim, mesmo como nora.
Tinha-o como um pai, extremamente presente e por isso sinto muito a sua falta.
Como nora protegi e amparei a sua mulher, a sua filha e o seu filho meu marido.
Afastei os seus netos, meus filhos, de toda a incerteza e dor da espera.
Coube-me a mim contar a morte de um pai a um filho e de um avô a dois netos.
E doeu...
E foi extremamente pesado...
Mas a dor maior foi a de contar aos meus filhos que adoravam aquele avô, tão presente na vida deles, que ele tinha morrido. Sem rodeios ou histórias de encantar, apenas simplicidade e com sentido universal.
... as lágrimas do meu filho mais velho corroeram-me a alma.
... o silêncio e inocência do meu filho mais novo apertam-me o meu peito.
Amanhã temos a missa em nome da sua alma e os netos irão estar presentes.
Paz à sua alma!