
Filho, o que te aconteceu ontem não se explica, apenas se agradece.
Quase todas as mães e pais podem contar um ou outro episódio nas suas vidas em que vivenciaram um milagre.
Quando tudo apontava para um desastre, heis que sem qualquer tipo de explicação científica um filho sai isento de quaisquer marcas a um acidente em que poderia ter ido parar a uma cama de Hospital.
Posso dizer que eu já vivenciei alguns bons milagres, com os meus filhos, e sempre que tal acontece tenho a percepção imediata de que acabaram de salvar a minha vida - o meu filho.
Enquanto embalo o susto nos meus braços, agradeço.
O primeiro milagre nunca se esquece - tinha o meu Rafael cerca de 5 dias de vida e estava a dormir tranquilamente na alcofa. Eu vou buscar o óleo (500ml - cheio) à mesinha de cabeceira mesmo junto à alcofa. Passo o óleo a cerca de 30 cm da sua cabeçinha e o frasco escorregou-me da mão. Ouço o barulho do frasco cheio a bater-lhe na cabeçinha de lado.
O milagre aconteceu de tal forma que ao pegar instantaneamente no frasco, o meu filho nem um choro deu, nem com uma marca ficou.
E eu agradeci e chorei muito também porque nunca tinha vivenciado nada igual...
Ontem a minha sapateira espelhada com 180cmx90cm cheia de sapatos, caiu em cima do meu Afonso.
Ele como está rouco pouco conseguiu chorar.
O tempo que parece andar tão devagar naqueles momentos, deixou-me tentar tirar-lhe o móvel de cima, quando a parte de cima do móvel estava a atravessar-lhe o corpo (cabeça, braço e as pernas estavam todas por baixo).
Quando agarrei no móvel e senti aquele peso imenso pensei que ele tivesse partido no mínimo um braço, pois seria impossível alguém safar-se assim, porque nem no meio ele ficou, é que apanhou mesmo com o móvel na pior parte possível.
Não consegui elevar o móvel na totalidade apenas o suficiente para que ele conseguisse sair... e ele conseguiu sair arrastando-se.
Fiquei surpreendida por ele ter conseguido porque senão não saberia como o tirar de lá, estávamos no corredor, não poderia pôr o móvel de lado e com ele ali mesmo não conseguiria erguer o móvel.
Peguei nele e tentei enfiá-lo dentro de mim e protegê-lo de qualquer mal...
Queixou-se de um cotovelo que pouco ou nada estava vermelho e explicou que estava a tentar abrir uma gaveta.
Na zona onde lhe caiu todo o móvel nem um vinco... nem uma marca... nada!
E eu agradeci e enquanto eu agradecia incrédula ele quis sair do meu cólo e brincar para o quarto.